O Mandamento do Silêncio
Poema que escrevi há pouco mais de dois anos, sobre o excesso de opiniões e a perda de valor da fala. Deus então limita as palavras humanas, obrigando cada um a pensar antes de falar.
Cansado dos ruídos ao relento,
das vozes lançadas ao vento,
Deus abriu os céus num só gesto,
e ditou um novo mandamento:
“Cada ser terá um número,
de palavras por ano, por mês —
não mais línguas soltas ao acaso,
não mais vozes sem porquês.”
Então, tirou-lhes a tagarelice,
fez pesar cada sílaba dita.
As bocas, agora conscientes,
guardavam o verbo na escrita.
Olhares tornaram-se densos,
e as pausas tinham sentido.
Era preciso medir o momento,
antes do som ser perdido.

