A Gravidade entre Nós
Os planetas, quando invadem a órbita uns dos outros, têm destinos variados. Às vezes colidem — destrutiva e inevitavelmente. Outros, são arremessados para longe, exilados, as vezes, no espaço frio. As vezes, são arremessados para longe e entram na órbita de outros planetas novamente e iniciando um novo ciclo. Mas há casos raros... Em que dois corpos celestes se encontram e passam a orbitar juntos, em perfeita sincronia, como numa dança silenciosa no escuro do universo.
Assim somos nós.
Trajetórias errantes, desenhadas por forças invisíveis, arrastadas por impulsos antigos, por gravidades que não compreendemos. As vezes, giramos em torno de nós mesmos, como quem busca sentido na própria rotação — até que, num instante de rara convergência, nossos caminhos se cruzam. E aí, pode haver caos ou sincronia.
Quando há caos, as atmosferas se tocam, e há tempestades. Os mares transbordaram. Medimos distâncias, aceleramos o coração de nossas órbitas. Tentamos resistir à atração — como se temêssemos a colisão. E talvez temêssemos mesmo. Porque se há algo mais assustador que o impacto, é a possibilidade de permanência.
E quando não colidimos. Ficamos. E no silêncio que sucede a turbulência, começamos a perceber a música. Não era estrondosa, não era óbvia — era feita de pequenos gestos, de pausas bem colocadas, de olhares que aprendem a se encontrar no escuro. Era uma dança.
Talvez sejamos como planetas. As vezes, aqueles que se perdem. As vezes, os que se destroem. As vezes, os que se encontram e criam uma nova órbita. Um novo centro. Um novo universo.

